Cultura

LLari lança EP de estreia produzido pelo carioca Donatinho, com participação de veteranos

Cantora convocou artistas como Wado, Davi Moraes, Manoel Cordeiro e Alvinho Cabral para compor trabalho com referências pop brasileiras e africanas

26 de Fevereiro de 2021, 06:57

Eduardo Afonso Vasconcelos

Lançado no início da semana passada em todas as plataformas digitais, o EP “LLari”, trabalho de estreia da cantora homônima, apresenta uma linguagem pop delicadamente trabalhada em cinco faixas e diversas parcerias com artistas veteranos, a começar pelo produtor, o carioca Donatinho. Larissa Gleiss, nome de batismo de Llari, iniciou a carreira musical ainda na adolescência, mas somente agora, aos 28 anos, apresenta suas habilidades ao mercado fonográfico. 

O carro-chefe do EP, “Tranquilo”, é uma composição de Wado, Pedro Soares e da própria cantora, trazendo um ritmo dançante numa mescla de reggaeton e coco de roda (o que ela chama perspicazmente de “cocoton”), mas com batidas elétricas características de Donatinho – que já foram capazes, inclusive, de influenciar o pai do produtor, o pianista, cantor, compositor e arranjador João Donato. “Foi difícil escolher uma música favorita, mas essa é a que mais se conecta com a minha essência”, explica LLari. "‘Tranquilo’ fala sobre meus pensamentos e sobre o grave que é uma particularidade da minha voz." 

Ensaio fotográfico para a identidade visual do EP 'Llari'

Na sequência, composta por Pedro Soares e pelo cabo-verdiano Hélio Ramalho, “É Assim” desenvolve-se, ao mesmo tempo em português e em dialeto crioulo, abordando semelhanças da culturas latina com a africana. A canção, com forte influência do funaná, ritmo originário da República de Cabo Verde defendido com o suingue preciso das guitarras de Davi Moraes – que já trabalhou com Gal Costa, Moraes Moreira, Adriana Calcanhotto e Maria Rita –, vem cheia de sensualidade, como ostenta Llari no clipe disponível no YouTube. 

O carimbó se faz presente na terceira faixa, “Calor”, de Natália Matos, Pedro Soares e Donatinho. O clipe é repleto de cores e vigor tropical. “Quando canto, estou chamando quem ouve para brincar e se jogar na roda comigo”, afirma a artista no informativo enviado à Redação. “Calor” dá continuidade ao segmento afro pop do trabalho, celebrando a tradição paraense com as guitarras de Manoel Cordeiro. Produtor e arranjador de uma infinidade de discos de MPB e pop, Cordeiro é um multi-instrumentista que se dedica especialmente ao universo popular da região amazônica. 

Na música “Tara”, composição de Pedro Soares e Junior Braga Zion, LLari se joga no universo do R&B e abusa de sintetizadores para entregar desejo e erotismo, materializados no primeiro clipe da cantora, em que a artista alagoana aparece com ares de diva. A cuidadosa produção e direção de arte é de Fernanda Simões, com direção de Victor Viana e fotografia de Rodrigo Barros. 

Por último, a canção “Esquina de Bamba”, de Pedro Soares, Donatinho, LLari e Alvinho Cabral, flerta com o samba de maneira suingada e moderna, bem ao estilo da Fino Coletivo, banda há 16 anos liderada por Cabral, que ficou responsável, também, por pelos violões da faixa. “Esquina de Bamba” parece anunciar alegremente ao público a chegada de LLari, que avisa: “Passo sem vergonha e sem medo”. 

Nesse primeiro trabalho, LLari parece executar um olhar consciente sobre as tradições populares sem perder a capacidade de fincar os dois pés na musicalidade contemporânea, brincando com um repertório que ora pode soar próximo da paraense Dona Onete, ora assemelhando-se à carioca Mahmundi. Mas certamente Llari tem uma identidade própria. “Eu venho com as raízes africanas e brasileiras. Houve um cuidado especial nesse processo. Da minha postura ao que eu visto, tudo está coerente. Sou eu, de fato, em cada acorde, suingue e palavra cantada.”