Especial

Femama critica exigência de atestado de aptidão para a vacinação de pacientes oncológicos

Em nota, a federação de apoio à saúde da mama problematiza o plano de vacinação atual, pleiteando revisão por parte do Ministério da Saúde

06 de Abril de 2021, 11:51

Da Redação

A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) publicou nota em nome de seu comitê técnico-científico, criticando o plano nacional de vacinação contra a covid-19 apresentado pelo governo federal. Segundo a Femama, a imposição de um atestado médico que declare apto à imunização o paciente com histórico de câncer não é apenas desnecessária, mas, também, “problemática”, do ponto de vista científico e social.

Para a federação, a exigência representa simplesmente uma “barreira de acesso” à vacina. “Não há risco agravado para pacientes oncológicos”, destaca o informativo enviado à Redação. De acordo com a Femama, os infectologistas são “taxativos”. “As vacinas não utilizam o vírus vivo e não causam a doença, mesmo em pessoas imunocomprometidas.”

Presidente da Femama, a mastologista Maira Caleffi defende priorização na vacinação

Esse equívoco técnico talvez se explique pelo fato de que o ministro da saúde em exercício durante a elaboração do plano de vacinação era um general, Eduardo Pazuello, cuja formação acadêmica é de oficial intendente (responsável por distribuir uniformes, munição e alimentos no Exército). Desde o início da pandemia, o Ministério da Saúde já passou por quatro gestões diferentes.

Presidente voluntária da Femama, a mastologista Maira Caleffi defende que pessoas com histórico de câncer devem ser "priorizadas na vacinação”, afirmando que o caos instaurado pela pandemia no sistema de saúde (público e privado) e as desigualdades sociais dificultam a obtenção do atestado. “Se já existe uma barreira para pacientes da rede privada, imagine para quem depende do SUS”, provoca.

A nota da federação explica as dificuldades impostas especialmente a quem depende do sistema público. “Esse paciente não possui contato direto com o profissional de saúde com quem faz acompanhamento, tendo de esperar durante meses por uma nova consulta para solicitar o documento.”

Trata-se de uma discriminação contra os “pacientes oncológicos”, conclui a Femama. “O Ministério da Saúde desconsidera a importância de priorizar esse grupo e ignora a orientação atual de infectologistas”. Para a federação, é preciso uma “revisão imediata” do plano de vacinação com base no conhecimento sobre os milhões de pacientes oncológicos vacinados em todo o mundo.