Especial

O desafio de ajudar no enfrentamento à pandemia é também de quem pensa as cidades

Para reduzir o desgaste do pessoal da saúde, é preciso uma força tarefa de outros profissionais em suas áreas de atuação para a formação de uma retaguarda técnica na guerra contra a covid-19

09 de Abril de 2021, 16:47

Fernanda Costa/ Colaboradora

O enfrentamento à pandemia tem como protagonistas os profissionais de saúde que lutam exaustivamente contra o colapso da saúde pública no país. A covid-19 modificou de modo significativo a vida de 95% desses especialistas, que há mais de um ano atuam na linha de frente. Quase 50% desses médicos, enfermeiros e técnicos admitiram excesso de trabalho ao longo da crise sanitária – os dados são da pesquisa realizada  pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em todo o território nacional.

O cenário alarmante desperta a necessidade de uma ação coletiva entre diversos setores para mitigar a estafa do SUS. Para a arquiteta e urbanista Sálua Kairuz Manoel Poleto, do Conselho de Arquitetura de São Paulo e Secretária de Desenvolvimento Urbano de Araraquara, a colaboração de saberes é decisiva. “Profissionais que pensam as cidades têm uma função importante na retaguarda técnica para ajudar a capacidade de atendimento da saúde”, explica.

Sálua Kairuz Poleto diz que arquitetos ajudam na 'retaguarda técnica'

Araraquara, nas duas semanas passadas, não registrou nenhuma morte causada por covid-19 e o mérito do resultado se deve ao lockdown adotado pelo prefeito Edinho Silva (PT-SP). Há um mês a cidade está sem nenhum paciente aguardando leito na UTI e ampliou a capacidade para atender pacientes de outras cidades e estados. “Temos pacientes das cidades vizinhas e até do Tocantins sendo atendidos aqui”, comenta Poleto. 

O fechamento total do comércio e das atividades não essenciais foi uma medida dura, mas os dados indicam que ainda é o melhor caminho para reduzir o contágio. “Logo no começo da pandemia”, explica a arquiteta, “realizamos um levantamento sobre imóveis da prefeitura que estavam disponíveis e que pudessem ser adaptados para novos leitos. Isso economizou tempo e nos deu agilidade para atender as demandas do SUS e da população.”

A arquiteta observa que o enfrentamento à crise não está somente nas mãos da saúde – que é preciso pensar como adaptar as cidades à nova realidade imposta pelo vírus, de modo que melhorem as condições de vida da população. “Para arquitetos e urbanistas, o desafio é repensar os espaços públicos, a mobilidade, e redesenhar ambientes de trabalho. Todas as ações feitas hoje serão o nosso legado para o futuro."