Especial

Bichos que retornaram à natureza passaram por avaliação e tratamento no Cetas

O Centro de Triagem de Animais Silvestres, localizado em região de Mata Atlântica na parte alta de Maceió, salvou este ano um total de 1.261 espécies

16 de Abril de 2021, 10:51

Da Redação

Nos primeiros meses de 2021, um total de 1.261 espécies de animais silvestres retornaram à natureza. Os dados vêm do Centro de Triagem de Animais Silvestres (o Cetas). “O índice de soltura de animais está diretamente atrelado às apreensões feitas pelas ações de fiscalização dos órgãos ambientais e entregas voluntárias”, destaca o informativo enviado à Redação, observando que “a reinserção ao meio ambiente ocorre somente após avaliações, possíveis tratamentos e reabilitação desses animais”.

“O Cetas, que possui administração compartilhada entre o Instituto do Meio Ambiente (IMA) em Alagoas e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), recebe e cuida dos animais silvestres com o objetivo de elevar as chances de reintrodução”, informa o press-release do IMA.

Corrupião mudou de cor (do preto para o amarelo) por conta de dieta inadequada

Segundo a comunicação do instituto ambiental, depois que os animais chegam ao Cetas, localizado em região de Mata Atlântica na parte alta da capital, “os animais passam pelos procedimentos clínicos básicos”. Tais procedimentos consistem em avaliação do animal, verificação da temperatura e, também, checagem dos parâmetros respiratórios e cardiovasculares. “Além disso, passeriformes e aves são anilhadas. Nos casos em que apresentam doenças ou debilidades, as espécies passam mais tempo em quarentena.”

Jabuti em tratamento na sede do Cetas, na parte alta de Maceió

De acordo com a veterinária do IMA, Ana Cecília, animais maltratados em cativeiros ilegais, especialmente os psitacídeos (como os papagaios) e alguns passeriformes (que são a maior parte das aves), “precisam de tratamento depois da avaliação”. “Já ocorreu de chegar um corrupião com a coloração amarela, porém, a coloração normal é preto e laranja. Isso se deu em razão da dieta inadequada em cativeiro. Muitos animais chegam assim”, explica a veterinária.

Alguns bichos entram em óbito ou não apresentam melhoras significativas. “Isso ocorre”, avisa o IMA, “porque alguns chegam com estresse e comportamentos irreversíveis do cativeiro.” Ana Cecília diz que “eles se auto mutilam, tiram as próprias penas, se bicam”. “Isso é horrível e muito difícil de reverter o quadro, pois eles estão há anos em cativeiro. O comportamento e o emocional afetado fazem parte da série de malefícios para a saúde desses animais.”

O IMA avisa, ainda, que a população pode auxiliar no combate à criação ilegal de animais silvestres, denunciando casos via aplicativo IMA Denuncie. As pessoas também podem ligar para o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) no número (82) 3315 4325. “Para a entrega voluntária”, informa o press-release, “o interessado não precisa se identificar e pode levar o animal até o Centro de Triagem de Animais Silvestres na Avenida Fernandes Lima, 4.023, no bairro do Farol, em Maceió.”