Cultura

Carmen Lúcia Dantas apresenta sua 'Alagoas, Percurso de Cultura e Tradição'

Obra será lançada nesta terça-feira (7), juntamente com outros livros editados pela Universidade Estadual de Alagoas, a Uneal; pesquisadora e museóloga afirma que 'mergulha' na cultura popular e erudita de nosso estado 'desde meados dos anos 1970'

07 de Dezembro de 2021, 12:20

Sebage Jorge/ Editor

Em Maceió, a Editora da Universidade Estadual de Alagoas (a Eduneal) faz o lançamento nesta terça-feira (7) de oito livros, assinados por alguns dos mais importantes intelectuais do Estado. “As obras versam sobre temas que vão desde economia à literatura”, destaca o informativo da editora enviado à Redação, observando tratar-se do primeiro evento presencial desde o início da pandemia da covid-19. O sociólogo e dramaturgo Luiz Sávio de Almeida, o economista Cícero Péricles, o historiador Roberval Santos, a escritora e poeta Arriete Vilela e a pesquisadora e museóloga Carmen Lúcia Dantas apresentarão suas obras no Complexo Cultural Teatro Deodoro à rua Barão de Maceió, 77, centro da capital, a partir das 19h30. A entrada é gratuita. 

Carmen Lúcia Dantas traz seu “Alagoas, Percurso de Cultura e Tradição”, que é uma reedição que atualiza um mapeamento cultural e de patrimônio que ela produziu para o jornal Gazeta de Alagoas, contando com a colaboração do fotógrafo Ricardo Lêdo. 

Serão lançadas oito obras nesta terça-feira (7) pela editora da Universidade de Alagoas

“O livro reúne informações sobre o meio cultural das regiões alagoanas. É um trabalho que já faço há uns 40 anos, desde que eu dirigia o Museu [de Antropologia e Folclore] Théo Brandão”, conta a autora. “Inicei pesquisa na área de cultura popular. E pela aproximação com [o artista] Rogério Gomes, que presidia a Pinacoteca Universitária, também mergulhei nas questões das artes visuais. Minha formação em museu, a especialidade é arte plástica. Então a vizinhança do museu com a pinacoteca [entre a Praça Sinimbu e a Avenida da Paz, na região central de Maceió] me fez também enveredar por este caminho.”

Carmen Dantas afirma tratar-se de um material em que vem “mergulhando" desde os anos 1970. “Eu entendo que todo pesquisador tem de estar sempre renovando o seu olhar, atualizando o seu olhar. E isso tem sido uma prática: voltar aos mesmos lugares e ver como se comportam aquelas manifestações artísticas nos dias de hoje — a cada década, cada mudança que aconteceu. O pesquisador não pode parar no tempo.”

Carmen Lúcia Dantas: 'O pesquisador não pode parar no tempo'/ Foto/ Arquivo

Para Dantas, a informação da juventude e da maturidade tem de servir como referência para pesquisas que agora realiza “na velhice”. “Para continuar pesquisando e continuar voltada para o meu trabalho, eu preciso me atualizar, preciso estar voltando. Já que o meu material de estudo é Alagoas, tenho de estar sempre voltando aos mesmo lugares, e vendo a mudança desses lugares. Porque esses lugares não são mais os mesmos a cada visita que faço. Então esse livro reúne esse meu percurso.”

A obra observa o que caracteriza cada região do Estado

A obra foi dividida “mais ou menos” por regiões, observando o que caracteriza cada uma dessas regiões. “Tomando cidades polos de cada região e vendo todo o entorno”, explica a autora. “Durante um período trabalhei nos projetos especiais da Gazeta com essa área de patrimônio histórico e de cultura, tanto popular como erudita, assim como, também, as características tradicionais de cada município. Isso me serviu agora de subsídio para organizar esse trabalho para a Uneal. Alagoas é um estado pequeno, mas muito rico de história. Nós estivemos presentes em grandes momentos da história brasileira. Está aí Zumbi, está aí Calabar, estão aí os caetés, o vigor dos caetés, a resistência, a defesa da terra feita pelo indígena caeté, nossos ancestrais. Então há toda uma preocupação de documentar essa terra com as suas características, as suas tradições, a tradição do doce e do amargo, da formação social plantada na cana do açúcar, essas referências todas…”

Sobre a participação do fotógrafo Ricardo Lêdo, Carmen Lúcia Dantas diz que ele a acompanha “em muitos projetos”. “Esses projetos todos da Gazeta foi com ele. É um grande parceiro. Tenho dois grandes parceiros nessa área, Celso Brandão e Ricardo Lêdo. Nesse trabalho todas as fotos são do Lêdo. Ele foi muito gentil comigo e selecionou o que pode de fotografia, sempre de boa qualidade, para ilustrar o texto.”